A coisa caminhava bem. Convidada de honra, Dilma Rousseff discursava para uma platéia de cerca de 3 mil gestores municipais. Gente arrebanhada pela 15ª Marcha dos Prefeitos a Brasília. A fala da presidente, como de hábito, era entrecortada por aplausos. Até que…
A alturas tantas, a audiência impacientou-se. O discurso de Dilma já se encaminhava para o final e a oradora não dissera palavra sobre o tema que mais interessava aos prefeitos: a redivisão dos dividendos do petróleo. De repente, a prefeitada pôs-se a gritar: “Royalties, royalties, royalties…”
Dilma viu-se compelida a responder. E o fez à sua maneira: “Petróleo, vocês não vão gostar do que eu vou dizer. Não acreditem que vocês conseguirão resolver a distribuição de hoje para trás. Lutem pela distribuição de hoje para frente.”
A presidente deu por encerrada sua participação. Alguns dos prefeitos esboçaram uma salva de palmas. Mas as vaias soaram mais alto. O mestre de cerimônias apressou-se em proclamar o fim da cerimônia. Aqui, mais detalhes.
Ricardo Teixeira ganhava R$ 90 mil mensais como presidente da CBF e mais R$ 110 para dirigir o Comitê Organizador da Copa.
Divulgou, também, que o atual presidente, José Maria Marin, aumentou seu salário de presidente da CBF para 160 mil. Com mais R$ 110 do Comitê são R$ 270 mil mensais. Beleza!
Enquanto isso…
… a dívida dos principais clubes brasileiros chega a R$ 4 bilhões. Repetindo: Flamengo, Vasco, Botafogo, Grêmio, Atlético-MG, Palmeiras e por aí vai… devem quatro bilhões de reais.
Parte dessa dívida é trabalhista. Outros R$ 2 bilhões são para o fisco: Imposto de Renda, INSS e Fundo de Garantia! Nem a Timemania salvou e o calote tende a ser eterno.
Boa parte dos clubes, da Série A, não consegue manter em dia a folha de pagamento. Ronaldinho Gaúcho que o diga.
Mas, afinal, o que é a CBF, cujos salários afrontam a realidade miserável das finanças do nosso futebol?
Didaticamente, a CBF é uma instituição que congrega as federações estaduais. E as federações são formadas pelos clubes de futebol.
Assim, a milionária CBF tem sustentação jurídica-institucional de entidades devedoras, muitas caloteiras, outras em situação de falência. Que tal?
Contraste
Nesse panorama, a CBF é uma entidade riquíssima, que em 2011 registrou R$ 300 milhões de receitas.
Do total, R$ 219 milhões vieram de patrocínios. Outros R$ 41,9 milhões de direitos de transmissões. Dados de seu balanço financeiro.
E por que tanto patrocínio? Porque a CBF gerencia um produto chamado “Seleção Brasileira”, que tem apelo emocional e total visibilidade na mídia. A “amarelinha” enche os olhos dos anunciantes, valorizada pelo pentacampeonato mundial.
Desafio
A CBF gere uma das expressões da cultura nacional, o futebol, representado pela Seleção Brasileira, que “convoca” os jogadores.
Em campo, a Seleção exibe as cores do país; entoa o Hino Nacional e se perfila diante do nosso pavilhão. É a representatividade brasileira por excelência.
Portanto, seria justo que a CBF destinasse 20% de sua renda bruta para projetos sociais que usassem o futebol como atividade principal, em comunidades pobres, de reconhecido risco, Brasil afora.
Seriam “escolinhas” da CBF, não para descobrir talentos, mas para levar aos jovens a oportunidade de praticarem uma atividade que é a síntese de nossa cultura esportiva.
Ficam as sugestões e o desafio para que o deputado Romário, por exemplo, que tem participação atuante na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara, encaminhar esta proposta.
O seu passado de atleta campeão, a liderança demonstrada entre os parlamentares desportistas e as suas relações com a CBF o credenciam a encampar esta sugestão, de alcance social, antes de tudo.
Regra que obriga o poder público a fornecer informações solicitadas pelos cidadãos entra em vigor na quarta-feira
Até a sexta, só 23% de 52 órgãos consultados haviam criado local próprio para receber os pedidos da população
A três dias da entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação, ministérios, órgãos e estatais correm para colocar em funcionamento as salas de atendimento ao público, uma exigência legal.
A lei, sancionada em 18 de novembro do ano passado, regulamenta o acesso a informações públicas e sigilosas.
A partir de quarta, quando ela entra em vigor, os órgãos terão prazos definidos para responder aos pedidos, e o servidor que descumprir a lei poderá ser punido -pode até sofrer processo por improbidade administrativa.
Os efeitos da lei se estendem aos três Poderes da União, Estados e municípios.
Segundo a lei, os órgãos devem colocar em funcionamento os SICs (Serviços de Informações ao Cidadão), que devem ter "condições apropriadas" para acolher os pedidos e orientar o público sobre o acesso a informações.
De acordo com o governo, uma sala com cadeiras, recepcionista e identificação visual própria, onde a pessoa pode protocolar seus pedidos e receber as respostas.
De 52 órgãos do Executivo, Judiciário e Legislativo, bancos e empresas públicas consultados pelo o blog na semana passada, apenas 12 (ou 23% do total) declararam que seus SICs já estavam abertos e em funcionamento.
Quatro deles, na verdade, são setores que já existem há anos, como a Ouvidoria do TCU (Tribunal de Contas da União) e a Central do Cidadão do Supremo Tribunal Federal, agora com novas funções.
Arte feita a partir de capa original da Veja, que peguei no Blog do Nassif
Todo mundo se lembra da maior mancada da imprensa brasileira de todos os tempos, o caso boimate.
O " fruto da carne", derivado da fusão da carne do boi e do tomate, batizado com o sugestivo nome de boimate, constituiu-se, sem dúvida, no mais sensacional " fato científico" de 1983, pelo menos para a revista Veja, em sua edição de 27 de abril. Na verdade, trata-se da maior " barriga" (notícia inverídica) da divulgação científica brasileira.
Tudo começou com uma brincadeira – já tradicional – da revista inglesa New Science que, a propósito do dia 1º de abril, dia da mentira, inventou e fez circular esta matéria.
A fusão de células vegetais e animais entusiasmou o responsável pela editoria de ciência da Veja que não titubeou em destacar o fato. E fez mais: ilustrou-o com um diagrama e entrevistou um biólogo da UPS, para dar a devida repercussão da descoberta.
Para a revista, " a experiência dos pesquisadores alemães, porém, permite sonhar com um tomate do qual já se colha algo parecido com um filé ao molho de tomate. E abre uma nova fronteira científica". [divirta-se com a íntegra aqui]
Agora a edição desta semana da revista mais vendida do Brasil lançou um editorial fingindo tratar-se de matéria não assinada, mas que descobrimos ter sido escrita por uma mistura tão improvável quanto a de um boi com um tomate, Reivaldo Azeprado, uma fusão de Reinaldo Azevedo com o Professor Hariovaldo Almeida Prado.
A mistura das duas figuras extravagantes produziu um texto esquizofrênico, com pitadas escatológicas, ao gosto do blogueiro do esgoto, e tiradas completamente fora da realidade, a la Professor Hariovaldo, como o trecho a seguir, retirado do quarto parágrafo do Boimate 2:
Nas últimas semanas, o vazamento de informações da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, e a subsequente instauração de uma CPI para investigar o contraventor Carlinhos Cachoeira puseram sangue nos olhos de certa militância petista. Adversários históricos do partido e desafetos do ex-presidente Lula, como o senador Demóstenes Torres e o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, podem sofrer graves punições políticas por sua proximidade com operadores do esquema de Cachoeira. Eles se tornaram alvo da artilharia de esquerda, que também se voltou contra outro alvo de longa data: a imprensa independente, e VEJA em particular.
É ou não é puro Professor Hariovaldo afirmar que o que há contra Demóstenes e Perillo não são as inúmeras ligações comprometedoras, os presentes, a corrupção, o senador agindo a mando do bicheiro, mas apenas "proximidade com operadores do esquema de Cachoeira"?
E o estilo "ingênuo" do Professor acaba envolvendo a revista, que se coloca em pé de igualdade com os dois. Se a relação da Veja com o esquema Cachoeira for tão próxima como a de Demóstenes e Perillo, mais gente vai para a Papuda, onde já se encontram alguns repórteres investigativos da mais vendida.
As procuradorias regionais eleitorais começaram a recolher dados para compor um cadastro de políticos que, pelos critérios da Lei da Ficha Limpa, estão inelegíveis. De posse dos nomes dos “fichas sujas”, os braços estaduais do Ministério Público Eleitoral vão propor ações de impugnação daqueles que ousarem se apresentar como candidatos a vereador ou a prefeito no pleito de 2012.
Definida como estratégia nacional, a providência já começou a ser implementada na Bahia. Ali, o procurador regional eleitoral Sidney Madruga instaurou há nove dias um “procedimento administrativo”. Enviou ofícios a todos os órgãos e entidades que podem dispor de dados sobre condenações impostas a políticos.
A lista de destinatários inclui: a Assembléia Legislativa da Bahia, as câmaras municipais, o Tribunal de Justiça do Estado, a Justiça Militar, a Procuradoria-Geral de Justiça, a Procuradoria-Geral do Estado, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, o Tribunal de Contas dos Municípios, o Tribunal de Contas do Estado, o Tribunal de Contas da União e o Tribunal Regional Federal da 1ª Região e até os conselhos profissionais. Fixou-se um prazo de 30 dias para o envio dos dados.
Reunidas as informações, será elaborado o cadastro que vai municiar as ações de impugnação dos candidatos de biografia suja. Pela Lei da Ficha Limpa, já referendada pelo STF, estão impedidos de disputar eleições os políticos que têm contra si sentenças condenatórias de órgãos colegiados –a segunda instância do Judiciário e os tribunais de contas, por exemplo.
Incluem-se os condenados por atos de improbidade administrativa, os que tiveram as contas de cargos executivos rejeitadas, os que cometeram crimes contra o meio ambiente e a economia popular, os que lavaram dinheiro, os que traficaram drogas, os que praticaram racismo e um enorme etc. Esse etcétera engloba os que foram proibidos de exercer a profissão por infrações éticas detectadas por conselhos profissionais e servidores demitidos a bem do serviço público após responder a processos administrativos ou judiciais.
O cadastro sera útil porque permitirá aos procuradores eleitorais agilizar as impugnações. Em vez de partir do zero, atirando no escuro, vai-se inaugrar as ações a partir de um base de dados oficiais. Reduzem-se as chances de um “ficha suja” chegar às urnas. Melhor: elimina-se o risco de o Ministério Público Eleitoral acordar apenas depois do fato consumado que representaria a eleição de quem não pode nem se candidatar.
Levada à internet pela entidade Avaaz, a petição ‘Dilma, veta tudo’ já coleciona mais de 1,6milhão de assinaturas. Ex-ministra do Meio Ambiente de Lula, Marina Silva celebrou a marca no Twitter. A meta dos promotores do abaixo-assinado é chegar a 2 milhões de adesões. Pretende-se, então, levar a peça a Dilma. No texto, pede-se à presidente que passe na caneta todo o Código Florestal, não apenas parte dele.
O pavio que ligaria as duas bombas tem nome e função: João Faustino, suplente do senador José Agripno Maia, presidente do DEM. Faustino aparece na imagem ao lado acompanhando José Serra em sua campanha à presidência em 2010, junto ao senador Agripino e à governadora do Rio Grande do Norte Rosalba Ciarlini.
No final do ano passado, Faustino foi preso numa operação deflagrada pelo Ministério Público Estadual do Rio Grande do Norte acusado de ter recebido propina num esquema de corrupção envolvendo o Detran-RN.
José Faustino, segundo o mesmo depoimento, pode ter ficado com 10% de todo o lucro da operação fraudulenta no Detran do estado.
E, pergunta você, arguto leitor, sagaz leitora, o que José Serra tem a ver com José Faustino, além de dividir o Serramóvel em campanha com ele? Mostro a seguir (destaque em negrito é meu):
[José Faustino] é figura muito, mas muito próxima do ex-presidenciável tucano [e atual candidato à prefeitura de SP] José Serra. Enquanto Serra foi governador de São Paulo, Faustino despachava no Palácio dos Bandeirantes, como subchefe da Casa Civil, sendo diretamente subordinado ao então chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, que hoje é senador. Quando Serra se tornou presidenciável, João Faustino passou a coordenar as atividades da campanha – inclusive a arrecadação de recursos – fora de São Paulo. O que Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, fazia em São Paulo, João Faustino fazia em outros estados. [Fonte]
E se o aprofundamento das investigações chegar à conclusão que o dinheiro desviado do Detran-RN não irrigou apenas campanhas naquele estado mas também a do presidenciável por eles apoiado, que tinha em José Faustino seu arrecadador?
Citado numa CPI, qualquer nome torna-se suspeito. Lido numa sessão secreta de CPI, até um catálofo telefônico ganha a forma de um rol de culpados. Nesta quinta (10), a CPI do Cachoeira começou a fletar com o ‘efeito lista telefônica’.
Inquirido pelos congressistas sobre a Operação Monte Carlo, o delegado da Polícia Federal Matheus Mela Rodrigues revelou: nas conversas escutadas pelos grampos, Carlinhos Cachoeira mencionou 82 nomes.
Verificou-se que alguns dos citados mantinham relações promíscuas com a quadrilha. Quanto aos demais, Cachoeira desaguou-os a esmo. O delegado misturou alhos com bugalhos e pôs-se a recitar nomes.
Na relação, há do senador Demóstenes Torres à presidente Dilma Rousseff, do governador Marconi Perilho (PSDB) ao ministro do STF Luiz Fux. Assim, misturados num mesmo caldeirão, nacos da lista migraram da sessão “secreta” para a web.
Se a CPI fosse feita à base de bom senso, alguém teria solicitado ao delegado Matheus Mela que não desperdiçasse o tempo dos parlamentares, atendo-se ao que há de factual no inquérito. Mas sensatez e CPIs nem sempre andam juntas.
Delegado e parlamentares precisam aprender o primeiro princípio de uma boa investigação: a arte do investigador é não ver o que é inútil que ele veja. Se Cachoeira tivesse soado nas escutas dizendo a um de seus comparsas que acha Luana Piovani muito sexy, o nome dela estaria na lista.
E daí? Não é nada, não é nada o catálogo do doutor Mela não é nada mesmo.
O STF definiu nesta quarta (9) como será o rito da sessão de julgamento do processo do mensalão. O relator Joaquim Barbosa estimou que o tribunal levará “pelo menos três semanas” para julgar os 38 réus acusados de integrar aquilo que o Ministério Público Federal chamou de “quadrilha”.
Decidiu-se que o procurador-geral da República Roberto Gurgel vai dispor de cinco horas para fazer a acusação. Cada advogado de defesa ocupará a tribuna por uma hora –38 horas no total. Ficou combinado, de resto, que Barbosa será econômico na apresentação do seu voto. Por quê? O relatório (disponível aqui) já foi fornecido, em versão digital, aos demais ministros do STF, à Procuradoria e aos réus.
Mantendo sua tradicional postura a favor do mercado e contra qualquer política de governo em favor dos mais pobres, O Globo ontem lançou manchete tentando criar uma crise entre governo e bancos. Sua manchete, reproduzida ao lado, foi "Bancos reagem a Dilma e não garantem crédito maior".
Houve alguma declaração da Febraban ou dos bancos ou mesmo de algum banco nesse sentido? Não. A reportagem do jornal feita a partir da manchete retrata isso. Tudo se baseou num relatório produzido pelo economista-chefe da federação:
Intitulado "Informativo Semanal de Economia Bancária", o relatório é o resultado de uma consulta feita pela própria Febraban junto aos bancos sobre as principais estimativas dos bancos. No texto divulgado ontem, não há menção sobre a pressão do governo. O texto de Sardenberg diz que "a mudança nas regras da poupança funcionou como estímulo adicional para o mercado trabalhar com a expectativa de novos cortes na Selic". Mas, em seguida, pondera que a "questão que se coloca agora é até que ponto essas reduções (de juros e da remuneração da poupança) vão estimular a ampliação da oferta de crédito". Para a Febraban, o país vive hoje um paradoxo econômico, que funciona como obstáculo para os objetivos do Planalto. "A piora dos indicadores, especialmente os externos, abre espaço para quedas adicionais dos juros básicos, mas ao mesmo tempo parece impor uma cautela adicional aos agentes econômicos" [íntegra aqui].
Como se vê, não há reação alguma feita pelos bancos. Tudo ficaria por aí se O Globo não tivesse puxado o relatório para sua capa com uma manchete agressiva, dizendo que os bancos estavam reagindo ao governo.
Pior para os bancos. A presidenta, segundo contam, não teria ficado nem um pouco satisfeita e exigiu uma retratação da Febraban. E que fosse feita por escrito. A Febraban concordou e a nota foi emitida na tarde de ontem. Trecho (o destaque em negrito é meu):
A Diretoria de Economia da FEBRABAN produz o Informativo Semanal de Economia Bancária-Iseb há quatro anos. A edição de nº 140, divulgada na segunda-feira dia 7 de maio, trouxe uma análise da conjuntura do mercado de crédito baseada em dados e estatísticas públicos e na pesquisa sobre expectativas e projeções e opiniões dos analistas, que não podem ser interpretados como um posicionamento oficial da entidade ou de seus associados. [íntegra aqui]
Hoje, com o rabo entre as pernas, olha onde foi parar a manchete de ontem. Num cantinho envergonhado, com a retratação dos bancos, que, na verdade, deveria ser a retração de O Globo, que, na ânsia de agradar seus patrocinadores, quis ser mais realista que o rei e quebrou a cara.
O Brasil segue em frente, apesar das cascas de banana das Organizações Globo.
A J&F Holding, controladora do frigorífico JBS-Friboi, assumirá a gestão da Delta Construções na semana que vem. A informação foi confirmada em comunicado oficial. No texto, informa-se que as duas empresas assinaram um “contrato preliminar” na segunda-feira (7) passada.
O contrato prevê que, nos próximos meses, a Delta será submetida a “um rígido processo de auditoria”. A auditagem será feita pela KPMG. De posse dos resultados da aferição, a J&F Honding decidirá se “será ou não exercida uma opção de compra” da Delta.
O comunicado esclarece: “O contrato preliminar dá direito à J&F de substituir a estrutura administrativa da Delta, incluindo presidente, diretores e membros do Conselho de Administração.” Informa também que o ex-presidente do BC, Henrique Meirelles, presidente do conselho consultivo da J&F, “não terá nenhum cargo ou função na gestão da empresa de construção.”
De resto, informou-se no comunicado que “o controle da gestão da Delta não envolve pagamento aos seus antigos controladores.” Entre eles Fernando Cavendish, sócio majoritário da construtora. A auditoria a ser feita pela KPMG vai definir o valor que vai balizar “a opção de compra.”
Confirmando-se a compra da Delta pela J&F, o pagamento será feito com “recursos provenientes da distribuição dos dividendos futuros da própria Delta.” A operação ocorre num instante em que a Delta encontra-se no epicentro do Cachoeiragate. Maior tocadora de obras do PAC, a empreiteira pode ser declarada “inidônea” pela Controladoria-Geral da União.
Abaixo, a íntegra do comunicado da J&F:
São Paulo, 9 de maio de 2012 - A J&F Participações S.A comunica que assinou na segunda-feira passada acordo para assumir, a partir da semana que vem, a gestão da Delta Construções S.A. O Grupo informa que um rígido processo de auditoria será conduzido na companhia pela KPMG nos próximos meses. Somente após os resultados desta diligência será ou não exercida uma opção de compra.
O contrato preliminar dá direito à J&F de substituir a estrutura administrativa da Delta, incluindo presidente, diretores e membros do Conselho de Administração. Este contrato preliminar, que vincula as partes e que será confirmado pela J&F a partir dos resultados da diligência, resguarda os novos gestores de qualquer responsabilidade em relação aos contratos vigentes até que a auditoria seja concluída.
A Delta terá a gestão profissionalizada a partir dos mais altos padrões de governança corporativa. O novo presidente da empresa será anunciado nos próximos dias. “Nosso objetivo é honrar os contratos que serão auditados e preservar os mais de 30 mil empregos da Delta”, diz Joesley Batista, acionista da J&F.
O presidente do conselho consultivo da J&F, Henrique Meirelles, não terá nenhum cargo ou função na gestão da empresa de construção.
O controle da gestão da Delta não envolve pagamento aos seus antigos controladores. A auditoria sobre os ativos e contratos estabelecerá o valor da empresa, que servirá como base de cálculo para a opção de compra.
Caso exercida, a opção de compra prevê que os recursos provenientes da distribuição dos dividendos futuros da própria Delta serão utilizados no pagamento dos ativos da empresa. Não haverá necessidade de utilização de recursos próprios ou de terceiros para financiar a operação.
A J&F é uma holding com participações em grandes empresas de diversos setores da economia, como o de alimentos, celulose, higiene e limpeza e concessão de crédito ao agronegócio. “Já presente no mercado de commodities, com JBS e Eldorado, no mercado interno de consumo, com Flora e Vigor, e no setor financeiro, com Banco Original, a entrada da J&F no setor de infraestrutura consolida a presença da holding em áreas dinâmicas da economia brasileira, fundamentais para o desenvolvimento econômico do país.”, diz Henrique Meirelles, presidente do Conselho Consultivo da J&F.
J&F Participações S.A.
A J&F é uma holding com atuação em diferentes ramos de negócios. Seu portfólio abrange empresas de alimentos (JBS, a maior produtora de proteína animal do mundo), celulose (Eldorado), produtos lácteos (VIGOR), produtos de higiene e limpeza (FLORA) e serviços financeiros (Banco ORIGINAL). Conta também com atividades pecuárias (Oklahoma) e agrícolas (JBS Agro). O grupo possui mais de 50 marcas, 140 unidades de negócio e produção e aproximadamente 140 mil colaboradores distribuídos por todos os continentes.
A expansão do grupo vem sendo baseada em aquisições estratégicas e melhorias na gestão das empresas para atender demandas globais.
Ao mesmo tempo, busca reduzir os impactos socioambientais de suas atividades por meio de políticas e diretrizes éticas com respeito ao ser humano e meio ambiente.
Delta Construções
A Delta é uma empresa de infraestrutura, fundada há 50 anos e sediada no Rio de Janeiro. Com filiais em várias capitais do país e R$ 4 bilhões de faturamento anual, atua nas áreas de infraestrutura urbana, saneamento, edificações, obras especiais, engenharia ambiental, prestações de serviços contínuos e incorporações.“
A Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovouprojeto de lei que inclui todos os empregados domésticos no rol dos beneficiários do seguro-desemprego. A menos que algum senador recorra, o texto não terá de passar pelo penário da Casa. Segue direto para a Câmara.
Demitido, o trabalhador doméstico terá direito de receber o seguro por três meses. Basta que esteja em dia com suas contribuições previdenciárias e comprove que manteve vínculo empregatício de pelo menos 15 meses. A proposta é de autoria da senadora Ana Rita (PT-ES).
Hoje, apenas os domésticos inscritos no FGTS (6% do contingente total) têm direito ao seguro-desemprego. O projeto aprovado nesta quarta (9) estende o benefício a todos, mesmo os que não dispõem de Fundo de Garantia.
As Organizações Globo não demoraram a responder às duas reportagens contundentes da TV Record e de CartaCapital que mostraram as ligações perigosas entre a revista Veja e o bicheiro Carlinhos Cachoeira, alvo de uma CPMI no Congresso Nacional.
Em editorial publicado hoje em O Globo (o órgão-pai das Organizações), partiram para o ataque, curiosamente utilizando a mesma linguagem do semanário de Civita:
"Blogs e veículos de imprensa chapa branca que atuam como linha auxiliar de setores radicais do PT desfecharam uma campanha organizada contra a revista "Veja", na esteira do escândalo Cachoeira/Demóstenes/Delta" - começa o editorial.
E segue repetindo a mesma ladainha de Veja, de que as relações entre repórter e fonte (que se arrastam há pelo menos cinco anos) são apenas isso, jornalismo, e não há nada de reprovável nelas.
Isso deve animar ainda mais a mídia corporativa. Folha e Estadão devem ter entendido o recado e podem partir para ataque similar logo, logo.
A mídia corporativa, como era de se esperar, se junta - ainda que seja um abraço de afogado. Ao sair em defesa de Veja, as Organizações Globo se arriscam a descer correnteza abaixo, assim que vierem a público as ligações entre o diretor de Veja Policarpo Junior e o bicheiro Carlinhos Cachoeira.